Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005

Fenómeno das 20h

O jornalista é uma testemunha activa e selectiva.
Activa porque vai à procura da informação que não surge por geração espontânea.
Selectiva porque, de tudo o que recolhe, só divulga o que pensa ser interessante para o seu público.
Mas a evolução tecnológica e a banalização dos directos nas televisões criou um facto preverso, o fenómeno das 20h00.
É uma prática que vem encurralando os media audiovisuais utilizando as suas próprias ferramentas e tirando partido dos seus próprios critérios. Tornou os jornalistas em testemunhas passivas e deglutinadoras indiscriminadas de dados.
E este fenómeno decorre do facto de muitos protagonistas serem conscientes do apetite voraz que as televisões têm pelos directos.
Portanto, banalizaram as declarações às 20h00.
Esse é o horário dos principais noticiários das TVs nacionais generalistas de sinal aberto. Como tal, uma declaração a essa hora é aumentar exponencialmente as possibilidades de estar em directo para um vastíssimo auditório... e com uma vantagem, sem truncagens.
É poder fazer as revelações mais extraordinárias ou desfiar um rosário de dislates num discurso bacôco!
É poder estar no ar interminavelmente e nada dizer!
Em horário nobre!
E – extraordinário – já só fazem declarações!
Não dão conferências de imprensa!É que até essa tradição se alterou.
Há cada vez mais declarações e cada vez menos conferências de imprensa.
Estas têm implícita a possibilidade de os jornalistas fazerem perguntas depois da declaração do protagonista.
As declarações não.

Eles são verborreicos... e escusam-se a responder às dúvidas, a explicitar meias-palavras, silêncios, referências menos claras, declarações ambíguas, etc.
Falam e escusam-se a dizer mais.
Levantam-se, sorriem ironicamente ou engelham a face em ar circunspecto e hipócrita enquanto se afastam.
Às vezes, abrindo caminho pelo meio dos microfones sedentos de respostas, evitando os seus portadores, quais leprosos em estado de elevado risco de contágio!

Eles sabem!
Eles aprenderam!
Nós… parece que não!

Somos escravos da intranquilidade, servos de uma rotina cega!

Engolidos pelo animal que criámos!!
publicado por Dani às 22:29
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